domingo, 22 de março de 2009


Gabriel

Esse desejo em vermelho escarlate
Me mutila e faz sofrer
Minha alma rasgada quer gritar sem poder
O eu fiz para você?

Uma noite e um gemido deixam cicatrizes
Eu estou derretendo
Aquele beijo me condenou
Não te fiz nada,por que você me odeia?

Uma visão toda negra eu só vejo o frio intenso
Tem algo que me toca e me dói
Me deixa...eu quero aliviar essa dor
Agonia me toma como jóia própria

Um sonho romântico que termina num choro incontido
Uma lama ácida que corre pelo teu queixo
Um gosto acre de arrependimento
E por fim você descarrega essa raiva em mim

Você joga e perde
E quem morre sou eu



sábado, 14 de março de 2009



Dacnomania

O cheiro suave da tua branca pele me faz enlouquecer
É fria e serena
Quase pode se desfazer a um mero toque
Doce e leve como o teu olhar

O jeito calmo não deixa transparecer
A mente perturbada que tanto me atrai
Mente de poeta e de assassino
Só você me faz tremer

Aperto os finos lábios já cheio de sangue
Caldo voluptuoso que escorre pelo meu queixo
E te faz um mapa para a dor
Atreve-se a chegar perto?

Teus olhos,quero-os para mim
Quero esses olhos rasgados de mágoa que só você tem
Olhos negros que brilham quando fundidos as lágrimas
E esses teus lábios que me fazem salivar

Que anjo é esse que tem prazer em torturar-me?
Você é como uma serpente que me enfeitiça
Com um beijo falso de amor
Não ousas faze-lo enquanto estou desperta...

Esse cheiro seu está me chamando
Quase me sufocando
Eu quero te tocar
Com a boca,com o corpo,com tudo






Repetição

Meu corpo cansado sente vivo
O minimalismo das tuas ações
O atrito que causa o medo
Um beijo sem saliência

Iluminado pela noite sem lua
Assim é nosso momento perdido
Um gosto acre que segue subindo
Meus lábios ao encostarem nos teus

Doce silfo perdido
Foste escolher justo eu que não sei amar
Uma criatura sórdida
Com um perfume que vicia

Trava tua língua,em meados do meu pescoço,
Batalha mortal para me satisfazer
Contra a virtude da pureza
Deixa tua infame chama tomar meu corpo

Sente leve minha voz a sussurrar no teu ouvido
Feitiços ou rezas para que jamais me deixes
Deixa-me saciar essa tua sede eterna
De calor não divino

Você não é daqui eu sei
Não é de nenhum lugar
Tens olhos negros,rasgados
Que tentam sempre da minha alma se aproximar

terça-feira, 10 de março de 2009




Cigana

Mesmo que as trevas me levem em sua calma mórbida
Meu coração bate em paz
Não fui rica,não fui santa mas fui feliz
Tive o dom de saber o que passa por mim

Pude ver nos olhos de quem me olha o desejo inconfesso
Em verdes rainhas;azuis dominadoras;castanhos calmas
Entenda amor eu não sou de ninguém
Por isso danço e hipnotizo só para torturar

Não sou bruxa nem divina
Mas quase posso ver o futuro
E no meu futuro não havia nada
Além de fantasias e solidão

Entrei no meu quarto,que não me pertencia
E por várias vezes me senti agredida
Não sei se pelo tom rosado das paredes
Ou pelas gotas de água que despencam do teto

É engraçado ver que sempre fico a sonhar com as luzes
Que atravessam minha janela e as cortinas de seda velha
Junto com os sons das pessoas indo e vindo
Chorando essa vida miserável que eu bem conheço

Eles choram por viver no escuro
Por comer defuntos
Por dormir no frio
Eu aqui já não sinto as jóias nem as pessoas

Mas antes,eu chorava por viver assim...

quinta-feira, 5 de março de 2009




Fim

Movido a ignorância,preconceito e autoritarismo
Você me odeia por não te ver como líder
Me odeia por não acatar tuas ordens
Me odeia por te achar um lixo

Somos três irmãs
Três desgraças,três ameaças a raça humana
Somos a duvida,a contradição,a dor
Somos a morte,a fome,a humilhação
Somos tudo e somos nada

Um paradoxo da vida
A esperança nunca morre
Morre só aquele
Que crê na própria sorte

Eu sei de todo seu medo
Eu sei do seu receio
Eu sei do seu futuro
Sabemos teu desejo

Eu sou a pedra no meio do caminho
Eu sou o muro,seu vizinho
Eu sou o prego que fura o pneu
Eu sou a estaca no seu peito
Eu sou a farpa no seu dedo
Eu sou a falta de respeito

A raça humana é viciosa
Movida a ódio,inveja e malícia




Feitiço

Teus cabelos como embebedados
De sangue ou vinho
Hipnotiza e faz dançar
Esse coração vulgar que trago no peito

Essa peça de carne,sangue e desejo
Que costuma me perturbar na hora de dormir
Parece me espetar
E gritar ao mesmo tempo

Dorme e me deixa quieto
Já estou cansado de ter meu orgulho pisado
Sou tolo já admiti,mas não te quero mais
Cansei de ter meu ego vomitado

Não sei mais de nomes...datas
Quero que todos eles evaporem
Morram pelo som distorcido da minha voz
Quero sentir apenas a dor do meu próprio egoísmo

Ferido até a alma por algo que desconheço
Olho céus imaginando o que seriam sem mim
Minha massa cinzenta agora abriga profunda ânsia
E o corpo as cicatrizes

Não passo de uma boneca de porcelana
Quebrada por dentro e pronta para explodir por fora
Com os olhos transparentes,sem expressão
Apenas contemplo a vida,ela muda,ela morre

E eu espero rolando na cama...

domingo, 1 de março de 2009




Espelho

Em doce desafeto encontro eu consolo
Numa noite desesperada posso ainda sentir
O cheiro entorpecente da derrota que sofri
Você é o erro que me rendeu

Que segredos sujos estão por detrás desses olhos claros?
Que face vil habita por detrás desse rosto angelical?
Você me olha como se fosse divino
E eu uma mera mortal

Eu tento entender essa tua lógica paradoxal
Um anjo sem coração
Um demônio que ama
Afinal que diabos é você?

Esse corpo gelado quase sem vida
Que é capaz de fazer a mais bela princesa se apaixonar
Como pode você ser tudo e ao mesmo tempo nada?
Como um quadro na parede.

Não te odeio,fique sabendo
Mas sim,te invejo
Quero ser o que você é ou próximo disso
Quero amar o que você ama e destruir o que você odeia

Ás vezes quando posso te fitar de longe
Tenho uma estranha sensação
Apesar de tentares ser cruel comigo você me acalma
Não sei bem o por que de tanta confusão

Mas para todo caso,penso nisso amanhã...